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“São insubstituíveis”, diz maestra Alice sobre concertos ao vivo
23 maio, 2021

Escrito por Fundaes

A maestra capixaba pondera, contudo, que a virtualização dos espetáculos permitiu que mais pessoas tivessem acesso à música.

Nascida e criada no Morro do Jaburu, comunidade localizada em Vitória, no Espírito Santo, Ana Alice do Nascimento Silva, 40, exerce profissionalmente a arte da música há mais de 21 anos. Bacharel em piano pela Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES) e mestra em regência pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maestra viu a pandemia do novo coronavírus alterar a conexão das pessoas com a música.

Alice é presidente do Instituto Todos os Cantos (ITC), entidade sem fins lucrativos formada por pessoas em posição de liderança no Espírito Santo, que se uniram para realizar atividades de impacto positivo para a sociedade.

Em entrevista ao Página UM, a maestra Alice falou sobre sua carreira e os desafios que a pandemia trouxe para a classe musical. Para ela, a virtualização da música permitiu alcançar mais pessoas durante a pandemia, com lives e apresentações virtuais, mas a experiência da audição ao vivo é insubstituível.

Você acredita que as pessoas vão continuar frequentando concertos e apresentações musicais quando a situação começar a se normalizar?

Alice Nascimento: A música de concerto, que as pessoas popularmente chamam de música clássica, acontece no tempo e no espaço. Quando escutamos gravações ou transmissões de espetáculos, por exemplo, a experiência é muito diferente. Assistir a um concerto de orquestra, de canto coral, ao vivo, é insubstituível, então isso não vai desaparecer. Nós estamos impossibilitados durante essa pandemia de vivenciar isso, tanto de transmitir como de presenciar, e o público que frequenta concertos está sentindo muita falta.

A falta de música e de outras atividades culturais afetou o dia a dia das pessoas?

Alice Nascimento: Assim como precisamos respirar, precisamos nos comunicar. No meio dessa “bicharada” toda somos os “bichos” mais complexos, ficamos pensando no passado, presente, futuro e temos a arte para nos ajudar a lidar com tudo isso. Então, a falta dessa interação com a música e todas as outras linguagens artísticas cria uma lacuna muito grande na gente e, na minha opinião, isso é uma das grandes razões para a violência, pois começamos a não nos entender muito bem e isso prejudica toda a sociedade.

Como em todos os âmbitos da vida, o machismo também se encontra presente em diversos estilos musicais, seja no funk, rap, música classifica e afins. Hoje você exerce uma posição de liderança no meio musical. Como foi a aceitação dos homens que a viam com essa liderança?

Alice Nascimento: Como regente coral a aceitação foi tranquila, pois iniciei no coral infantil, onde as mulheres são muito aceitas, porque é o local da professora, de educação. Quando, por razões do destino, tive a oportunidade de pegar a batuta de regente de orquestra e subi no pódio, à frente de uma orquestra, aí não fui aceita. Não é que foi difícil, simplesmente não fui aceita. Foram anos de “brigas”. Foi feio demais esse machismo de pessoas tão talentosas em postos tão interessantes demonstrarem atitudes tão medíocres.

Maestra, a virtualização da música trouxe algum benefício? Muitos shows e apresentações foram realizados em formato de lives, e foi sucesso no início da pandemia. Apesar de não ser da maneira como todos queriam, presencialmente, foi benéfica para atrair mais adeptos aos corais e orquestras?

Alice Nascimento: Vejo a virtualização da música como uma coisa boa. É um acesso, seja ele digital, muito bom. Nós conseguimos nos conectar mais e alcançar mais pessoas. Acho válidas todas as formas de fazer música, foram realizadas lives de todos os jeitos e está acontecendo ainda, até com concertos de orquestras completas. Do ponto de vista musical não cheguei a assistir muitas lives por conta das limitações técnicas. Pelos aparelhos eletrônicos não conseguimos ter a melhor qualidade dos instrumentos em uma apresentação, mas isso é um problema particular meu (rs). Mas que as pessoas estão assistindo e tendo uma conexão, isso estão.

Infelizmente com a pandemia, a população mais carente que não tem tanto acesso à internet perdeu mais a conexão com obras musicais. Como foi feito para esse conteúdo um pouco mais ‘limitado’ chegar a esse público?

Alice Nascimento: Nós, da Federação do Terceiro Setor do Espírito Santo (FUNDAES), tornamos essa questão uma pauta importantíssima. Fizemos campanhas para levar internet para as comunidades, levando aparelhos telefônicos para os moradores terem esse acesso. Tivemos muitas dificuldades, mas fomos ‘driblando’. A criança que não conseguia baixar no celular a plataforma que utilizamos para fazer o ensaio mandávamos os áudios pelo WhatsApp, e dessa maneira fomos lidando com os problemas o tempo inteiro. Fomos atrás de quem demonstrava interesse e continuamos fazendo música de todas as maneiras.

Fonte: https://jornalpaginaum.com/

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