A Chamada é pública e convida instituições, iniciativas e coletivos a apresentarem projetos voltados ao desenvolvimento comunitário local
Por Robson Melo
Em tempos de Chamada do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC), a terceira em quatro anos, é sempre oportuno explicar por que ela existe, a quem se destina, o que é, onde atua, para que e quando os recursos são aplicados. Em síntese, já adianto: trata-se de uma aposta que, até aqui, tem sido muito bem-sucedida.
O FIC é composto por doações de pessoas físicas e instituições, com gestão da Federação do Terceiro Setor Capixaba (FUNDAES). Essas doações não estão vinculadas a incentivos fiscais governamentais, como Imposto de Renda, leis federais de incentivo, Nota Premiada Capixaba, via renúncia fiscal estadual do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias), ou recursos oriundos de municípios por meio de renúncia do ISS (Imposto sobre Serviços). São recursos absolutamente espontâneos, provenientes do próprio bolso e da vontade do doador.
A Chamada é pública e convida instituições, iniciativas e coletivos a apresentarem projetos voltados ao desenvolvimento comunitário local.
Esses projetos podem abranger desde a capacitação de jovens, mulheres e cidadãos em geral; iniciativas empreendedoras de produção artesanal; oferta de serviços de contraturno para estudantes, crianças e adolescentes; fortalecimento de vínculos sociais e comunitários; educação ambiental e reaproveitamento de recicláveis; até, em muitos casos, o apoio à formalização da gestão e da representatividade institucional dos projetos.
Neste último aspecto, é motivo de especial satisfação acolher iniciativas que, para “ganhar escala”, precisam formalizar estatutos, regularizar e profissionalizar sua contabilidade, além de sistematizar a participação de conselheiros e gestores, assegurando a sustentabilidade das entidades sociais.
Trata-se de uma chamada, e não de um edital, embora com o mesmo objetivo: selecionar projetos para receber recursos do FIC. A escolha do termo reflete o diferencial da iniciativa, que se expressa principalmente na simplificação das regras, sem perda de confiabilidade e impacto nos resultados.
Em geral, editais corporativos ou públicos, excessivamente burocráticos, acabam excluindo instituições e projetos mais próximos do desenvolvimento local, conduzido por quem vive o território. Nesse sentido, o FIC da FUNDAES atua como ponte para alcançar essas verdadeiras “periferias dos editais”.
Nesta 3ª Chamada, os recursos foram aportados pela Vale, no valor de R$ 120 mil, possibilitando a seleção de 13 projetos entre os 95 inscritos, provenientes de municípios da área de interesse da empresa.
De acordo com os critérios da Chamada e o orçamento disponível, foram selecionados os seguintes 13 projetos:
• Instituto Vida em Movimento (Cariacica): promove a inclusão de pessoas com síndrome de Down por meio do esporte futevôlei.
• Associação de Pequenos Produtores Familiares de Pedro Palácios (Ibiraçu): desenvolve artesanato sustentável a partir dos saberes do campo e do aproveitamento de materiais regionais.
• Café A+ com Acessibilidade, do Instituto Atípica A+ (Morada de Laranjeiras, Serra): reúne mulheres cuidadoras, mães solo e mães atípicas em situação de vulnerabilidade social, econômica e emocional.
• Núcleo de Inclusão Digital e Cidadania, do Instituto 739 Conecta – Esporte, Educação e Cultura (Cariacica): promove inclusão digital e capacitação profissional de jovens e moradores da região de Alto Boa Vista.
• Fio de Transformação, do IMAC – Instituto Mulheres em Ação pela Cidadania (Andorinhas, Vitória): implanta um ateliê de costura industrial e criativa.
• Papo Lab (São Diogo II, Serra): capacita jovens em produção audiovisual com uso de aplicativos de celular, com apoio da Associação Centro Cultural Elizário Rangel, visando também à produção de curtas-metragens sobre a comunidade local.
• Mãos à Obra (Cariacica – Jardim Botânico): visa à formalização do Coletivo Esconderijo em Instituto, fortalecendo a capacitação de mulheres para autonomia profissional e econômica.
• Entre Elas (bairro Ourimar, Serra): promove o empreendedorismo feminino para fortalecer a autonomia e independência financeira de mulheres de todas as idades.
• Origens do Cuidar (Boa Vista, Cariacica): capacita mulheres e oferece espaço comunitário de atendimento contínuo a crianças atípicas.
• Servindo ao Próximo (Retiro Saudoso, Cariacica): instrumentaliza jovens para práticas inovadoras e de maior impacto local.
• Vozes que Pensam (São Vicente, Colatina): fortalece a cena cultural local por meio da criação e formação de um estúdio de gravação e produção musical voltado ao rap e hip hop.
• Guardiões do Penedo (Paul, Vila Velha): promove o Morro do Penedo como parque público educativo, cultural e ambientalmente preservado, reconhecido como “Guardião da Baía de Vitória”.
• A Casa Que Aprendeu a Reciclar, da Associação de Incentivo à Cultura, Arte e Apoio Social (Santa Cecília, Vitória): incentiva práticas de reciclagem e mudança de hábitos no descarte de resíduos.
Por fim, mas não menos importante, destaca-se que o protagonismo feminino no FIC é também uma de suas marcas.
Robson Melo é Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba

Robson Melo é Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba e presidente do Asilo dos Idosos de Vitória – Foto: Jerry Apolinário/ES Brasil




