Isso é Desenvolvimento Comunitário

O desenvolvimento comunitário tem muitas partes e formas. É o que está evidenciado ao observarmos melhor seus públicos, causas e objetivos

Por Robson Melo

Ainda na esteira do Fundo de Investimento Comunitário Capixaba (FIC), projeto criado pela Federação do Terceiro Setor Capixaba (Fundaes) para captar recursos de doadores, empresas e instituições com o objetivo de financiar projetos sociais no Espírito Santo, vamos aprendendo e confirmando como se dá o Desenvolvimento Comunitário, o que ele é de fato, quem o faz, para quem se destina e por que é tão importante.

Nas três chamadas feitas pelo FIC para captação de recursos, 180 projetos se inscreveram. Destes, 29 foram selecionados para receberem apoio financeiro para a sua execução.

Neste cenário, considero importante salientar, de início, a diversidade de projetos inscritos para compreender o que é desenvolvimento comunitário na perspectiva dos seus moradores. O desenvolvimento comunitário tem muitas partes e formas. É o que está evidenciado ao observarmos melhor seus públicos, causas e objetivos.

Neste sentido constatamos:

  • Que o Desenvolvimento Comunitário passa por todos, das crianças aos idosos, especialmente se eles não estão incluídos plenamente na sociedade;
  • Que os jovens nele inseridos precisam de oportunidades de profissionalização;
  • Que o cuidado é a base da inclusão dos que mais precisam e que é fundamental cuidar de quem cuida, afinal, a saúde mental dos que cuidam é tão importante quanto a do ente cuidado;
  • Que o Desenvolvimento Comunitário é parte intrínseca da evolução social e econômica das comunidades, sendo indissociável dos direitos das mulheres, meninas, mães e avós, sejam elas pretas ou brancas, de religiões de matriz africana ou não;
  • Que para todos é fundamental o fortalecimento de vínculos entre as pessoas e com o território de sua identidade local;
  • Que a moradia digna, em ambiente sem esgoto a céu aberto, é base para o exercício do direito à saúde, à educação e à segurança;
  • Que a cultura será tão forte quanto for a sua identidade territorial no desenvolvimento comunitário, seja pelas artes manuais que contam histórias, seja pela literatura que escrevam tais histórias, seja pela música, do hap por exemplo, pelo congo, pelo samba de enredo e outras “batidas”, do popular ao clássico, pela arte visual, pelo esporte;
  • Que o esporte é indissociável da educação, requerendo “quadras e campos como espaços de aprendizagem nas próprias comunidades;
  • Que na identidade territorial está incluída a defesa de seu patrimônio natural, como nos casos da proteção dos ícones e pontos geográficos e turísticos nos bairros e suas proximidades;
  • E que tudo isso possa também gerar profissões e renda.

Para concluir, desenvolver comunidades é solucionar vulnerabilidades a partir de sua própria visão de prioridades e potenciais soluções e por meio dos recursos e potencialidades locais, conforme preconiza o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). É importante, ainda, que possam contar com apoios externos, desde que conectados com os interesses e prioridades locais. Porque é a partir da demanda da comunidade que surgem iniciativas e soluções próprias que favorecem o bem comum e permitem que as comunidades, coletivos, grupos e cidadãos assumam o controle de suas histórias.

Enfim, isso é desenvolvimento comunitário.

Robson Melo é Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba

Robson Melo é Presidente Executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba e presidente do Asilo dos Idosos de Vitória – Foto: Jerry Apolinário/ES Brasil

Compartilhe:

Veja também:

Chamada ao desenvolvimento comunitário

A Chamada é pública e convida instituições, iniciativas e coletivos a apresentarem projetos voltados ao desenvolvimento comunitário local Por Robson Melo Em tempos de Chamada

Ler mais

O Amor nunca sai de cena

Os diversos tipos de amor refletem a complexidade das relações humanas e são fundamentais para o desenvolvimento moral do indivíduo e da sociedade Por Robson

Ler mais

Comunicar e tocar o coração

O Terceiro Setor reivindica a criação de editorias especializadas em “bem-estar social”, buscando o mesmo destaque já dedicado aos esportes e à economia Por Robson

Ler mais

Impacte vidas todos os meses.

Um gesto que transforma agora.